segunda-feira, 18 de julho de 2011

Capítulo 9 - Sem ar

Editors - Blood

Powered by mp3skull.com








Eu sei que você quer o que está em minha mente

Eu sei que você gosta do que está em minha mente

Eu sei que isso te devora por dentro

Evanescence - Sex Type Thing



Aquela voz, aquele rosto, um reconhecimento bizarro veio até mim, eu o conhecia, cada linha do seu rosto, cada tom da sua voz, eu poderia dizer quando ele estava feliz e quando estava preocupado, poderia dizer quando estava cansado só de olhá-lo, uma força tomou conta de mim e meus olhos se encheram d’água, mas porque eu estava chorando? Eu queria correr e abraçá-lo, uma urgência tomou conta de mim, eu precisava abraçá-lo senti-lo comigo de novo, ele era o meu pai, e todos os músculos do meu corpo sabiam disso.
Antes que eu pudesse sequer pensar, eu corri até ele, e me lancei em seus braços, eu não sei por que fiz isso, eu só... Eu só precisava me sentir segura de novo, mas assim que o abracei e enterrei minha cabeça em seu ombro, eu voltei a mim e sai rápido, ele percebendo minha reação disse:
- Qual o problema Catarina? – ele me olhou
- Eu não sei, eu... Desculpe-me – eu fui me afastando e ele pegou minha mão.
- Está se desculpando pelo o que? Por fazer de mim o pai mais feliz do mundo nesse momento? – ele me puxou e me abraçou de novo, dessa vez foi calmo, tranqüilo, como se estivesse me pondo para dormir. – Calma minha filha, vai ficar tudo bem agora. – e nesse momento uma lágrima percorreu o meu rosto e eu soube, eu estava em casa, onde deveria estar.
- Obrigada.

Ele se afastou para poder olhar meu rosto.
- Que tal agora irmos para o meu escritório para podermos conversa com mais calma? – Ele pegou minha mão para me guiar e eu parei.
- Mas... Pedro? – eu disse o nome dele olhando para trás.
- Pedro porque não busca Catarina no meu escritório daqui a pouco, e enquanto isso, por favor, vá ver se os preparativos para o quarto de Catarina estão prontos.
Eu olhei para Pedro.
- Claro senhor, com licença. – antes que Pedro saísse meu pai falou novamente.
- E Pedro, muito obrigado por trazer Catarina com segurança, terei uma dívida eterna com você.
- Não tem o que agradecer senhor, é um prazer.
Meu pai o olhou nos olhos.
- Eu sei.
Um silêncio se instalou e então Pedro saiu e Flávio o acompanhou.

O escritório de Henrique era enorme, as paredes eram de uma madeira escura com quadros antigos e dois quadros cada um, um retrato dos governantes da ordem, que eram no caso o meu pai e meu tio. Eu fiquei olhando por um bom tempo os quadros enquanto meu pai entrava em seu escritório e se servia um copo de conhaque.
- Lindos quadros não é mesmo?– antes que eu o percebesse ele estava em pé ao meu lado, eu dei um leve pulo de susto. – Me desculpe eu não tinha a intenção de assustá-la, está tudo bem?
- Sim, eu só... Ainda não me acostumei muito bem com a velocidade de vocês – dei um sorriso forçado
- Claro que não, mas em pouco tempo você se acostuma, e como foi à viagem?
- Foi ótima.
Nós ficamos nos olhando por um tempo.
- Você quer me dizer alguma coisa Catarina? – era como se ele lesse em meus olhos, ele me conhecia bem.
- Na verdade, eu quero respostas, quer dizer eu vim do Brasil, larguei minha família e meus amigos lá, vim corrida para cá e sinceramente eu ainda não sei o motivo. – Ele se virou e foi em direção a janela.
- Catarina aqui também é sua família.
Nesse momento eu vi que minhas palavras deveriam ter o machucado.
- Eu sei disso, o que eu quero dizer é... Ainda sim eu tenho uma família no Brasil.
- Eu sei minha querida eu te entendo. – ele fez uma pausa e então continuou – Você disse que não sabia direito o motivo, bom minha filha o motivo é que eu estou em guerra com seu tio a mais de sessenta anos, e o Brasil não é mais seguro para você já que ele descobriu onde você estava.
- Mas ele teria coragem de matar a própria sobrinha? Quer dizer eu não tenho nada a ver com a guerra de vocês, e... Eu faço parte da família dele, ainda sim ele teria coragem? – eu olhei assustada.
- Infelizmente minha filha Carlos está cego, ele não vê mais diferença entre justiça e poder, e as palavras família e honra não significam mais nada para ele, confesso que eu e seu tio deixamos isso ir longe demais porque amávamos Carlos afinal ele era nosso irmão, não poderíamos matá-lo, mas o Carlos de hoje não é mais nosso irmão, nosso irmão morreu e agora sabemos disso e não podemos mais o deixar continuar com essa matança em busca de poder.

Enquanto ele falava, eu pude ver a dor em seus olhos, ele amava mesmo Carlos, pena que ele escolheu esse caminho.

- Então Carlos queria me matar para poder atingi-lo? – Eu o olhei
- Exatamente, entende agora porque tive que pedir que Pedro a trouxesse aqui? Não era mais seguro para você lá e se você permanecesse você e sua família acabariam mortas.
- Então se meu tio não estivesse atrás de mim, significa... Você nunca iria me ver? – Um nó desceu pela minha garganta, então era esse o motivo, só me manter viva, ele não queria conhecer a filha por sentir saudades ou amá-la, ele só queria proteger sua linhagem, eu deveria ter percebido isso antes.
- Claro que não Catarina, como você pode pensar isso? – Ele podia ler meus pensamentos?
Respondendo a eles, ele disse:
- Não todos, só os vindos dos seus sentimentos mais fortes como raiva, ódio. – eu o encarei.
- É confesso que estou com raiva, por ter largado a minha família, por uma família que não se importa comigo. – Quando eu tinha me tornado tão valente? Quer dizer eu nunca era grossa, ou falava coisas que me vinham à cabeça, acho que depois de toda essa viagem e essa história maluca, eu estou aprendendo a me defender.
- Catarina nunca mais repita uma coisa dessas, você não sabe do que está falando, se tem uma família que te ama mais do que tudo é essa família, e se eu não te procurei antes foi pela sua segurança, mas eu sempre garanti que você estivesse bem. – ele me olhou irritado e confesso que sincero também. – Você não sabe como sua mãe tem sofrido todo esse tempo, estando longe de você, então nunca mais repita uma coisa dessas entendeu? Nós te amamos Catarina e você nunca deve duvidar disso.

Eu fiquei em silêncio, eu não sabia o que dizer depois de ouvir isso tudo confesso que fiquei feliz, como eu não ficava há muito tempo, era bom saber que eu era amada, e sinceramente eu o amava, não sei como e nem o porquê desse sentimento surgir assim do nada, mas eu sabia que ele era o meu pai e eu o amava, simplesmente o amava, e não estava tentando entender o porquê disso minha vida já estava complicada demais então decide parar por um tempo com as perguntas.
- Me desculpe pai. – Era a primeira vez que eu o chamava de pai, saiu automaticamente como se fosse à coisa mais normal do mundo. – Quer dizer, desculpe Henrique.
- Não Catarina você tem que entender que essa é sua família e eu sou seu pai, então sem mais Henrique ok?
Eu sorri.
- Tudo bem pai, mas você me perdoe se isso ainda é um pouco confuso pra mim.
- Claro minha filha, afinal você só está me vendo agora, então quando você se sentir a vontade eu estarei aqui.
- Obrigada.

Nesse momento alguém bateu na porta, deveria ser Pedro e como minha intuição estava certa, era ele.
- Entre – Henrique disse se aproximando de mim.

Pedro entrou na sala e nos olhou.
- Estou interrompendo? Se quiser eu posso voltar mais tarde.
- Não acho que já terminamos por hoje e Catarina precisa descansar. – ele me olhou – Tudo bem minha filha?
- Claro, hum... Boa noite. – ele me deu um beijo na testa e passou a mão pelo os meus cabelos.
- Boa noite, Pedro leve-a até o quarto dela e se assegure que ela esteja confortável, qualquer coisa de que precisar saiba que é só me procurar.
- Obrigado.

Pedro e eu saímos do escritório e ele me guiou por um corredor e depois subimos uma escada, e fomos reto em outro corredor, os corredores daqui eram acolchoados com camurça vermelho, e as paredes eram todas cores suaves, leves de um bege claro com quadros perfeitos pendurados. Ao final do corredor pude ver uma porta consideravelmente grande.
Ele a abriu e quando entrei tive a visão de um quarto perfeito, ele era uma mistura de época medieval com contemporânea, tinha o meu violão, uma cama com cortinas finas sobrepostas, uma escrivania de vidro suportada por uma madeira escura, um armário grande todo de madeira, e uma penteadeira que me fez lembrar as jovens de contos de amor da época medieval.
Pedro me olhou
- Está do seu gosto?
Eu o olhei pasma.
- É claro que sim, está perfeito.
Ele sorriu
- Bom então fiz um bom trabalho.
- Como assim você que arrumou?
- Não exatamente, mas... Digamos que eu que decorei. – ele riu
- Nossa Pedro obrigado, está realmente perfeito.

Nós ficamos nos encarando por um tempo e seu olhar mudou de alívio para um olhar mais malicioso, ele foi se aproximando de mim, e minha respiração se alterava com cada passo dele, em segundos nossos corpos estavam quase colados, e ele sussurrou:
- Já que me sai bem, eu mereço uma recompensa? – Eu o olhei nos olhos, naqueles lindos olhos verdes que me faziam ficar totalmente zonza.
- Como assim? Que recompensa? – eu não conseguia tirar os meus olhos dos dele, tê-lo ali tão perto de mim, era quase embriagante.
Ele riu
- Isso depende, eu posso escolher? – ele estava jogando comigo, eu podia ver pelo seu tom de voz e seu sorriso safado, e eu estava quase entrando no jogo dele.
- E o que você escolheria? – Da onde saiu essa resposta? Sinceramente desde que conheci Pedro e soube de toda essa história eu não tenho mais sido eu mesma.
Ele sorriu maliciosamente se aproximando mais de mim a ponto de sua boca ficar perto demais de meu pescoço, fazendo com que um arrepio percorresse meu corpo.
- Que tal invés de eu falar, eu mostrar – ele foi chegando mais perto e suas mãos se entrelaçaram nos meus cabelos, e eu já estava fechando meus olhos, e me entregando, quando alguém bateu na porta e nos interrompeu.
Pedro parou no meio do caminho para minha boca, fazendo com que nossos narizes se encostassem.
- Quem é? – ele disse irritado.
- Henrique quer falar com você. – essa voz era familiar, era Flávio.
- Diga que já estou indo.
- Claro – eu pude sentir a prepotência na voz de Flávio ele era sempre assim, maldoso, com aquele ar sexy, como se nada e ninguém fosse páreo para ele, e sinceramente não sabia até onde isso era verdade.
Pedro desceu suas mãos lentamente dos meus cabelos, e me olhou nos olhos.
- Eu tenho que ir – ele disse me olhando nos olhos.
Minha respiração ainda estava alterada.
- É...Eu... Eu tenho que tomar um banho. – eu disse gaguejando me afastando dele. – Boa noite Pedro.
Ele sorriu como se aquilo fosse o jogo mais divertido do mundo.
- Ótima noite Catarina... – ele disse meu nome devagar pronunciando bem todas as sílabas.
Eu fiquei sem ar, e saí de perto dele antes que fizesse algo que poderia me arrepender, ou algo que poderia gostar além da conta.
Pedro saiu e fechou à porta atrás dele, eu sentei em minha cama e fiquei olhando para o nada repassando cada segundo desse momento, tentando entender como pude ter sido tão fraca, se Flávio não tivesse chego, provavelmente eu e Pedro estaríamos... Bom eu prefiro não pensar o que estaríamos fazendo, e antes que percebesse eu adormeci.


2 comentários:

  1. Karina-Cullen Salvatore19 de julho de 2011 06:19

    Ai que ódio desse Flávio!!!!!!!!! Pq ele tinha que chegar para atrapalhar tudo?????
    Juh, posta logo o outro!!!!!!!!!!

    ResponderExcluir