segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Capítulo 20 - Ferro

Christina Perri-Jar Of Hearts

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Hoje será o dia
Que eles vão jogar tudo de volta em você
Por enquanto você já deveria, de algum modo,
Ter percebido o que deve fazer
(Wonderwall – Oasis) 


Hevi:

Henrique me chamou a sua sala.
Provavelmente Catarina deveria estar me procurando para saber sobre as aulas de arco e flecha.

Quando cheguei a sua sala bati na porta e ele mandou que eu entrasse.

- Henrique, com licença- entrei na sala - Você pediu que me chamasse?
Ele se virou, seu rosto visivelmente transtornado.
- Sim Hevi, hum... Eu preciso que você busque Catarina para mim no seu quarto e a traga aqui o mais rápido possível.
Eu franzi a sobrancelha, mas logo assenti.
Pelo seu rosto Henrique não estava no dia de ser questionado.

Fui até o quarto de Catarina, mas para minha surpresa ela não estava.
Eu estranhei isso, mas de qualquer forma ela deve ter ido atrás de mim para saber das aulas e acabamos nos desencontrando.

Procurei por ela por toda a mansão, e não a encontrei, me lembrei da sacada que ela costuma ir quando quer ficar sozinha e fui até lá.
Ao chegar lá encontrei Pedro e Clara conversando, o que me preocupou ainda mais se a Catarina não estava com eles, onde ela estava?
Minha preocupação deve ter ficado visível em meu rosto porque Pedro se levantou rápido e me encarou.

- O que houve Hevi? Está tudo bem? – ele disse inseguro.
Eu engoli em seco.
- Vocês viram a Catarina? – a pergunta saiu entre cortada, minha voz falhava, se eles dissessem que não era oficial Catarina estava desaparecida.
- Não – eles disseram juntos e olharam um para o outro. – Porque? Onde ela está? – Perguntou Clara.
- Isso é o que eu quero saber... Catarina desapareceu.
Naquele instante um silêncio doloroso se instalou entre nós, ninguém disse nada apenas olhamos ao longe imaginando inúmeras situações onde ela poderia estar, quando as imagens na minha cabeça da Catarina perdida ficaram horríveis demais para eu agüentar eu cortei o silencio.

- Precisamos alertar Henrique, e ir atrás dela AGORA – minha voz saiu mais decidida e forte do que eu realmente estava, minhas pernas estavam bambas e eu não sabia o que pensar.

Fomos correndo até o escritório de Henrique e entramos como uma rajada de vento, sem bater.
Henrique se virou assustado.

- O que houve? – ele estava visivelmente inseguro, como se estivesse prevendo o que tinha acontecido, ele olhava Pedro nos olhos.
Eu engoli em seco
- Henrique – eu fiz uma pausa – Catarina desapareceu
Ele ficou em choque, não disse uma palavra, e eu completei:
- Ela não está em nenhum lugar da mansão eu já chequei, segui seu cheiro e ele se perdeu próximo daqui na estrada de terra – minha voz saiu quase como um sussurro.
Henrique voltou à compostura, expulsando a dor do seu rosto e nos encarando.

- Hevi convoque todos nessa mansão para o campo agora – o seu “agora” saiu áspero, cortando como uma navalha eu sai como um vulto.

Depois de reunir todos no campo, Henrique começou a informar todos sobre o desaparecimento dela, ele estava em pé na nossa frente em cima do primeiro degrau da escapa para grama e Isabela estava ao seu lado seus cabelos negros caindo sobre seus ombros, ela estava com um vestido preto social básico com um sobretudo igualmente preto e um salto preto como se tivesse acabado de chegar de uma reunião de negócios.

- Catarina foi raptada e eu não preciso dizer quem foi, acho que todos aqui não sou tolos o suficiente para ainda ter duvidas – ele encarou todos, a raiva visível em seus olhos – Eu sabia que Carlos estaria planejando algo do tipo, mas ele ultrapassou os limites, ele atacou um membro direto da ordem, então tropas se organizem e façam seus preparativos mais tarde pensaremos em uma estratégia com calma e cuidaremos dele.

Eu fiquei em choque. Mais tarde? Como?
Catarina poderia estar em qualquer lugar, poderia estar até... Não eu expulsei esse pensamento para longe.
Quando me virei Pedro estava me olhando com o mesmo olhar perplexo, ele deveria estar se perguntando assim como eu o que Henrique tinha na cabeça.

Depois que todos os outros saíram e Henrique entrou me aproximei de Pedro e Clara eles me olhavam assustados e perdidos.

- O que faremos agora? – eu perguntei
- Eu não sei, Henrique perdeu a cabeça, ele não pode esperar mais, Catarina está presa com Carlos, sabe-se lá o que ele está fazendo com ela – nesse momento Pedro respirou fundo mesmo não precisando e virou seu rosto como se estivesse expulsando um pensamento. – Precisamos pensar em alguma coisa, eu não posso deixar Catarina com aquele homem nem mais um minuto.

Nós nos encaramos por um minuto e então eu falei

- Pedro você sabe o que fazer – eu o encarei e ele me olhou como se soubesse do que eu estava falando e assentiu – Reúna todas as armas que puder e eu vou fazer uma bolsa com sangue e iremos atrás dela.

Pude ver que ao dizer “uma bolsa com sangue” Clara se enrijeceu e virou o rosto.
- O que vocês vão fazer? – Clara perguntou direcionando o seu olhar ora para mim, ora para Pedro
- Vamos atrás dela. – eu disse e quando nos viramos Isabela apareceu atrás de mim.
Quase dei um pulo e ela me puxou pela mão na direção da floresta.
Quando nos afastamos da mansão ela se virou.

- Eu sei o que vocês vão fazer e eu irei com vocês – ela disse decidida – Henrique perdeu a cabeça, ele quer ter êxito nessa guerra e se esqueceu que Carlos está mais insano do que nunca, não podemos prever o que ele fará a Catarina e eu não posso deixá-la em perigo.

Nós nos entre olhamos.
- Mas Isabela se você for Henrique vai ficar furioso – Eu disse encarando-a
Ela deu de ombros
- Nós partimos hoje – ela disse
- E para onde nós vamos – Perguntou Pedro
Ela olhou para longe como se estivesse lembrando de alguma coisa.
- Eu sei onde ela está – ela disse por fim .


Catarina:


Quando acordei eu sentia como se toneladas de aço tivesse caído em cima de mim, todo o meu corpo estava dolorido e latejando.
Eu abri os olhos devagar por causa da luz que estava machucando, quando finalmente conseguia abrir os olhos pude ver que estava em um galpão de depósitos, que provavelmente era algum galpão de estoque de peixes porque fedia a peixe podre.
Quando levantei minha cabeça vi porque meu corpo estava dolorido e meus braços parecia que tinham sido arrancados do meu corpo.
Eu estava pendura pelos braços com uma corrente, meus dedos esbarrando no chão, mas a altura não era suficiente para encostar meu pé inteiro.
Pude sentir um líquido quente escorrendo da minha cabeça e quando ele chegou a minha boca pude sentir o gosto de sangue, eu podia sentir várias partes do meu corpo ardendo provavelmente por causa de cortes.

Depois de alguns minutos pode ouvir um barulho de uma porta de ferro se fechando.
Depois de alguns passos eu vi dois homens altos, um era careca e o outro tinha um cabelo ralo preto, os dois estavam vestindo jaquetas jeans, calças caqui jeans e blusas pretas.
Os dois homens me encararam com um sorriso frio no rosto.

- Bom dia gracinha, então a anfitriã finalmente acordou? – ele sorriu – Já não era sem tempo.
O outro homem riu e se aproximou
- Ansiávamos pela sua companhia querida – ele disse passando o dedo pelo meu rosto e eu cuspi na cara dele.
- O que vocês querem? – eu disse fria e minha voz saiu uma mistura de sussurro e agonia
Eles riram e o homem limpou o cuspi do rosto.
- Mas que maneira mais grosseira de se tratar uma pessoa Catarina, seus pais não lhe deram boas maneiras? – Disse o homem que eu cuspi com um sorriso sarcástico no rosto.
- Infelizmente eu me esqueci de tudo – eu disse fria – Vou perguntar mais uma vez, O que vocês querem?
Eles se entre olharam e riram
- Uh! Ela é durona – o outro homem passou a língua pelos lábios – Eu gosto disso.
Eu senti ânsia de vômito naquele momento.
O homem em qual eu cuspi se aproximou de uma mesa que eu só tinha percebido agora.
Em cima da mesa estavam vários objetos cortantes, todos os objetos que você puder imaginar para torturar uma pessoa estava lá.

- Então Catarina, eu acho que começamos com o pé esquerdo, que tal você colaborar com agente e nós não te machucamos
Ele me encarou e sorriu gentilmente
- Eu prefiro andar cem Kilometros com pregos nos pés
O homem fechou a cara.
- Então se você prefere o modo difícil vamos ao modo difícil. – ele riu – Eu amo o modo difícil.

O outro homem se aproximou da mesa e pegou um pedaço de ferro que tinha uma forma redonda na ponta.
Ele pegou uma pistola de solda que emanava uma chama de fogo e começou a esquentar o ferro, inúmeras imagens de bois e cavalos sendo marcados vieram a minha mente, eu engoli em seco e um nó desceu pela minha garganta.

O homem se aproximou de mim com o ferro vermelho de tão quente.
- Última chance, você vai ligar para seu pai e pedir que ele te encontre no centro SOZINHO e vai dizer que você apenas se perdeu; - O homem me encarou e esticou a mão que segurava o ferro na minha direção
-Não – eu consegui dizer, minha voz saiu espremida, minha mente já prevendo a dor que viria pela frente.
- Então tudo bem, eu tenho tempo.

Ele esticou o ferro na minha direção e pude o sentir tocando minha pele, uma dor agonizante, soltei um grito abafado enquanto sentia o ferro derretendo a minha pele.
Isso se repetiu inúmeras vezes, em algumas vezes ele dava com o ferro no meu rosto porque eu desmaiava e logo depois acordava com a dor do ferro queimando a minha pele.
Um telefone tocou e um homem foi atender, logo depois ele voltou e disse que eles tinham que ir.
Eles saíram e eu fiquei sozinha, inúmeras partes do meu corpo queimando e uma dor alucinante na minha cabeça, agora eu quase não sentia minhas pernas, um líquido quente escorria por todo o meu corpo o que deveria ser meu sangue. Eu perdi a conta de quantas vezes eu desmaiei e acordei por causa da dor.
Depois de algumas horas, pude ouvir o barulho da porta de ferro se abrindo de novo.
Dessa vez eram três homens, mas o terceiro estava vestindo uma calça preta social, um sobretudo preto e tinha os cabelos pretos grisalhos como o do meu pai, mas no seu rosto estava um sorriso frio.

- Nossa ela está horrível, o que vocês fizeram? – ele disse rindo – Coitadinha.
Ele se aproximou de mim.
- Você está bem querida?
Eu levantei minha cabeça lutando com a dor agonizante.
- Quem é você?- agora minha voz saiu como um sussurro ao longe, fraca e entrecortada.
- Prazer eu sou seu tio Carlos – ele sorriu e passou a mão por uma mecha do meu cabelo.

3 comentários:

  1. Aaaaaaaaaaaai morri, tadinha da Cat! Eu quero o próximo maaaaaaaaaaano, o CARLOS *O*

    Ja disse e repito: cada vez mais perfeito!

    \Fran

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  2. Karina-Cullen Salvatore23 de agosto de 2011 20:51

    Tadinha da Catarina :,(
    Quero +++++++++++++++++

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  3. Aaai que saudades da historia e da autora :(

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